Série #NossosTalentos | Solistas Noite das Estrelas
Bruno de Sá, sopranista

 

Dias 8 e 9 de outubro, na Sala São Paulo, o Mozarteum encerra sua programação de 2018 com os concertos Noite das Estrelas. Em cena, acompanhados da Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro, sob regência de seu maestro titular, Carlos Moreno, estarão 12 jovens solistas brasileiros com carreiras promissoras, que em algum momento foram impulsionadas pelo Mozarteum. Vale a pena conhecê-los: são novos talentos que despontam inclusive na cena internacional, comprovando a potência musical brasileira.

Bruno de Sá, sopranista

Nascido em Santo André (SP), Bruno de Sá possui um timbre vocal raro. Capaz de cantar no mesmo registro de uma soprano, ele emite sonoridades que evocam uma dimensão celestial. Homens com esta habilidade são chamados de sopranistas. Na Europa, onde reside e se apresenta atualmente, o talento de Bruno desperta interesse cada vez maior. Em junho, ele venceu o concurso Spirus Argiris 2018, realizado na Itália.

Momento atual: “Moro e estudo na Suíça. Tenho participado de audições na Espanha, Itália e Alemanha, onde também venho realizando concertos. Todas essas audições são para consolidar minha entrada no cenário musical internacional.”

Vencedor na Itália: “O concurso Spirus Argiris já está em sua 19ª edição e se realiza em Sarzana, uma pequena cidade localizada entre a Ligúria e a Toscana. O foco deste concurso é o repertório belcantista e entre os jurados estavam cantores célebres, como Fabio Armiliato, Katia Ricciarelli e a presidente do júri, Raina Kabaivanska. Participar de uma competição no exterior, concorrendo com cantores de alto nível, interpretando repertório italiano na Itália e ao final conquistar o primeiro prêmio foi, sem dúvida, uma de minhas experiências mais marcantes, me trouxe a sensação de ter superado grandes barreiras. Me traz grande prestígio o fato de meu perfil vocal e meu repertório não serem frequentemente apresentados na Itália.”

Noite das Estrelas: “Cantarei Se Romeo t’uccise um figlio, da ópera I Capuleti e i Montecchi, de Bellini. É a mesma ária que os jurados do concurso Spirus Argiris me pediram para cantar tanto na semifinal como na final do concurso. Trata-se de uma ária extremamente virtuosística, que possui belíssima linha de canto, mesclando agilidade e momentos de longos fraseados. Os dois concertos na Sala São Paulo marcarão meu retorno aos palcos brasileiros. Em Noite das Estrelas poderei apresentar ao nosso público os resultados do trabalho e dos estudos realizados fora do Brasil, os quais só foram possíveis graças ao apoio do Mozarteum.”

Experiência com o Mozarteum Brasileiro: “Desde 2015, quando participei do 1º Canto em Trancoso, venho estreitando os laços com o Mozarteum, que tem me oferecido incentivo financeiro em forma de bolsas de estudos, no Brasil e na Europa, além de oportunidades de apresentações em alguns dos mais importantes palcos brasileiros. Iniciativas como esta ajudam na descoberta de novos talentos e na formação de jovens músicos, impulsionando a carreira de muitos artistas. Tive o privilégio de ser um desses talentos descobertos. O fato de minha voz ser rara tem me aberto inúmeras portas. Mas é o Mozarteum que tem alavancado a abertura dessas portas.”

Uma voz rara: “Minha voz foi uma descoberta pessoal, um processo muito interessante – de aceitação acima de tudo.”

Como tudo começou: “Cantar sempre foi muito natural para mim. Canto desde os dois anos de idade, de início era apenas um hobby. Eu era flautista, frequentava o curso de licenciatura em música da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e amava cantar no coro. Ao ouvir minha voz, a professora me incentivou a estudar canto. Após me graduar, decidi ingressar no curso de canto e me dedicar completamente ao canto lírico. Durante meus estudos, fui descobrindo possibilidades vocais e, junto com o professor Francisco Campos Neto, fui trabalhando e definindo o repertório mais adequado à minha voz.”

Compositor preferido: “Amo cantar Mozart, especialmente seu Exultate, Jubilate, escrito para um cantor castrato que fazia parte de algumas produções mozartianas.”

Ser artista lírico no Brasil: “Viver de canto lírico no Brasil é um grande desafio. Especialmente quando se é um sopranista, cujo repertório é muito específico. Por isso, me estabelecer na Europa é a melhor opção. Todavia, retornar ao Brasil e me apresentar em nossos palcos é sempre uma emoção à parte, principalmente porque o público brasileiro é muito caloroso e receptivo.”

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