Série #NossosTalentos – Canto em Trancoso 2019
Vitor Mascarenhas – barítono

Abrir portas, oferecer oportunidades, estimular novos talentos: para o Mozarteum, sempre foi fundamental valorizar jovens músicos brasileiros – instrumentistas e cantores líricos.
A série #NossosTalentos procura dar visibilidade àqueles que se destacam ou fazem parte da história das atividades socioeducativas do Mozarteum – como Vitor Mascarenhas, que participou da academia Canto em Trancoso de 2019 e foi um dos quatro selecionados para uma bolsa de estudos adicional, que lhe proporcionará um curso da Chorakademie Lübeck na Europa, em 2020.

O paulistano Vitor Mascarenhas começou a estudar canto lírico aos 17 anos, com a professora Edna de Oliveira, na Faculdade Cantareira.

Hoje, aos 22 anos, Vitor já acumula uma expressiva experiência. Na Academia de Ópera do Theatro São Pedro, em São Paulo, participou como solista de produções como Gianni Schicchi, de Giacomo Puccini, na temporada de 2017, mesmo ano em que ingressou no Coro Acadêmico da OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo).

Na Ópera Studio do Theatro Municipal de São Paulo, onde ingressou em 2018, tem participado de produções como Missa, de Leonard Bernstein, do programa Meu Primeiro Municipal, além de óperas como L’elisir D’amore, Così fan tutte, La Scala di Seta e Hänsel und Gretel.

Como solista, se destacou em grandes produções do Theatro Municipal de São Paulo, como O Barbeiro de Sevilha, Turandot, La Traviata e Der Rosenkavalier.

Sua mais recente conquista aconteceu no Canto em Trancoso de 2019, quando se tornou um dos quatro selecionados para uma bolsa adicional de estudos que lhe permitirá participar de um curso da Chorakademie Lübeck na Europa, em 2020.

A seguir, Vitor conta um pouco de sua história.

 

Percurso de um jovem talento


Sempre fui ligado à música, desde pequeno. Não venho de uma família de músicos, mas meu avô, sempre que podia, me dava instrumentos musicais. O primeiro foi uma gaita, que nunca cheguei a aprender de fato, era bem pequeno e não entendia como funcionava. O segundo foi um cavaquinho: por ser criança, eu o chamava de violão, era o que eu queria que fosse. Depois veio o teclado e foi quando comecei a entender um pouco mais sobre música.

Só aos dez anos comecei a estudar um instrumento com um professor – o violino, e na época percebi que talvez pudesse me dar bem como músico.

Me descobri como cantor aos 15 anos, quando entrei em uma banda de ópera metal, como violinista e tecladista. Por falta de um vocalista, comecei a cantar. Acabei me tornando o vocalista oficial da banda.

Passei por várias bandas como vocalista, às vezes tocando guitarra, baixo, bateria, mas sempre cantando. Na mesma época, entrei para o grupo de teatro do colégio em que estudava, onde decidiram tentar fazer trechos de musicais.

Aos 16 anos, ingressei em uma escola de teatro musical, a Teenbroadway, onde fiz minha primeira apresentação, com meu pai na plateia. Estava interpretando o personagem Javert, de Os Miseráveis, de Victor Hugo. Assim que me ouviu cantar pela primeira vez para um público maior, meu pai, que não tinha muita confiança nessa carreira artística, deu o braço a torcer e começou a me apoiar. Claro, sempre vejo a necessidade de mostrar para meus pais que estou no caminho certo. No ano seguinte comecei a estudar canto lírico com a professora Edna de Oliveira na Faculdade Cantareira, com quem estudo hoje na Escola Municipal de Música de São Paulo.

Doce canto de liberdade

Cantar, para mim, é poder me libertar para o mundo. Não importa qual o público, me sinto livre quando canto para as pessoas, fazendo com que ouçam as mais belas músicas escritas por grandes compositores. Interpretar suas obras de várias maneiras, para poder explorar todas as possibilidades de sentimentos nelas contidos, também me dá grande prazer. Meu grande sonho é cantar nos grandes teatros do mundo e também ensinar a arte do canto para as próximas gerações.

A experiência de Canto em Trancoso

O festival Canto em Trancoso foi uma experiência muito enriquecedora em vários aspectos – tecnicamente, vocalmente, tanto como coralista quanto solista. Ver o maestro Rolf Beck tirar o máximo de cada frase, de cada música, e o coro reagir tão bem, me fazia abrir sorrisos a cada nova mudança musical, além de estar junto a muitos amigos e pessoas queridas, que o tempo todo traziam boas energias para aquele encontro em Trancoso.

Ser selecionado para a Chorakademie Lübeck foi incrível! No momento em que anunciaram os ganhadores das bolsas, todos estávamos apreensivos. O primeiro a ser selecionado foi um grande amigo meu, Mikael Coutinho, quase pulei de alegria da cadeira. Vê-lo sendo selecionado me fez ficar ainda mais inquieto. Fui o último a ser anunciado, estava com a ansiedade até o limite, e quando ouvi meu nome veio o alívio e uma grande felicidade. A alegria e a energia no teatro eram demais. A ficha foi caindo aos poucos, toda hora lembrava: ‘Cara, eu ganhei a bolsa!’. A Chorakademie Lübeck na Europa vai ser uma experiência incrível! Só tenho a agradecer a minha família, amigos e professores, por estarem sempre me apoiando em todas as minhas conquistas.”

Leia mais sobre Canto em Trancoso 2019 em: https://bit.ly/2JPy3rI

 

Na galeria de fotos, Vitor Mascarenhas em alguns momentos de Canto em Trancoso 2019: durante ensaio e no concerto de encerramento — se apresentando e quando foi anunciado como um dos selecionados para bolsa de estudos adicional. Na penúltima foto, Vitor e o maestro Rolf Beck. (Clique nas fotos para ampliar).

Fotos: Cauê Diniz

 

 

 

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