O Messias, de Händel

A beleza ímpar de uma obra-prima da história da música, no concerto de encerramento do Canto em Trancoso de 2018

Um dos maiores autores musicais de todos os tempos, já chamado de “Shakespeare da música”, Händel despertou admiração inclusive entre gênios musicais de igual quilate.

Para Beethoven, por exemplo, Händel era o maior de todos os compositores.

Nascido na Alemanha, Georg Friedrich Händel (1685-1759), mudou-se aos 25 anos de idade para Londres onde, já como cidadão inglês e com a assinatura de George Frideric Handel, compôs sua música mais famosa: o oratório O Messias, obra-prima que será apresentada dia 21 de julho, às 18h30, no Teatro L’Occitane, no encerramento da quarta edição do Canto em Trancoso.

Para o público e os participantes do Canto em Trancoso será a oportunidade de entrar em contato com uma obra de beleza ímpar, sempre presente nos programas musicais das melhores salas de espetáculos do mundo.

“Historicamente, O Messias tem seu lugar na galeria dos grandes oratórios”, diz Francisco Campos, professor de canto e arte lírica do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, que frequentemente também ministra masterclasses no Canto em Trancoso.

Segundo Francisco Campos, a monumentalidade de O Messias, com seu libreto abordando o nascimento de Cristo, envolve naturalmente todas as plateias. Composto em 1742 em inglês, o oratório foi a última obra executada por Händel ao órgão, em 6 de abril de 1759, em Londres, na Abadia de Westminster – onde ele foi enterrado solenemente em 20 de maio do mesmo ano.

“Vale notar que Händel e Bach nasceram no mesmo ano”, acrescenta Campos. “Ambos dividem o apogeu do último período contrapontístico” (*).

No encerramento do 4º Canto em Trancoso, as duas primeiras das três partes de O Messias serão apresentadas pelos solistas selecionados nesta academia realizada pelo Mozarteum, em parceria com a Chorakademie Lübeck, da Alemanha. Anualmente, Canto em Trancoso reúne bolsistas de todo o Brasil, para um período de aperfeiçoamento com professores brasileiros e estrangeiros.

Os solistas se apresentarão com a Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro, sob regência de Rolf Beck como regente convidado. Diretor da Chorakademie Lübeck e expert em música coral, Beck coordena a academia Canto em Trancoso desde sua inauguração, em 2015.

O Messias é uma obra muito importante em minha longa carreira como músico”, comenta Rolf Beck. “Como maestro, eu a conduzi mais de 60 vezes em diversas partes do mundo, na América do Sul, Espanha, Japão e Itália. Apresentei este oratório no sul da Europa quase todos os anos. Posso dizer que O Messias está junto de mim há muito tempo”.

Rolf Beck ressalta que O Messias teve fundamental importância na vida de Händel. “Ele escreveu esta obra quando estava em situação financeira muito difícil, enfrentando muitos problemas em Londres. Decidiu estrear O Messias em Dublin com um orçamento bem pequeno, mas em um ambiente que lhe parecia melhor do que na capital inglesa. Foi um grande sucesso, mas a real consagração aconteceu anos depois, em 1759, quando estreou o oratório na Inglaterra. Até hoje, O Messias é a obra mais popular de Händel e talvez o maior sucesso da música em geral”.

Para o público é experiência fundamental conhecer esta composição de extrema beleza e tão importante na história da música universal. Da mesma forma, todos os estudantes de canto devem conhecê-la, na opinião do professor Francisco Campos – daí a importância da apresentação de O Messias no Canto em Trancoso.

O professor Campos destaca que os bolsistas participantes do Canto em Trancoso têm tudo para proporcionar um espetáculo da mais alta qualidade. Em suas quatro edições, a academia vem reunindo jovens cantores brasileiros que costumam revelar grande talento. Todos os anos, aqueles que se destacam são selecionados para um período adicional de estudos na Chorakademie Lübeck, também com bolsas de estudos oferecidas pelo Mozarteum.

“Tenho seis alunos que foram bolsistas do Canto em Trancoso e também da Chorakademie Lübeck”, comenta Francisco Campos. “Joyce Tripiciano hoje é cantora residente da Ópera de Wuppertal, na Alemanha, e já recebeu crítica favorável da Opern Welt, a mais conceituada revista de ópera do mundo. Felipe Balieiro foi aprovado como cantor na Staatsoper de Berlim. Camila Rabelo está fazendo audições na Europa, com ótimas possibilidades. Bruno de Sá ganhou uma bolsa da Academia de Música de Basel, onde estuda com Marcel Boone e Margreet Hönig, e acaba de ganhar o primeiro prêmio do concurso de canto de Sanzana, na Itália. Vinícius Costa foi aceito em Basel e Marcela Rahal foi semifinalista da Academia Plácido Domingo de Valência”.

Ou seja, Canto em Trancoso abre as portas do mundo para estes jovens, salienta o professor. “Por isto é tão importante”.

Em 2018, novos talentos estarão em cena e a apresentação de O Messias no encerramento do 4º Canto em Trancoso é uma dupla oportunidade: apreciar esta magnífica obra musical e ao mesmo tempo conhecer jovens cantores brasileiros que, em breve, poderão estar brilhando em palcos do Brasil e do mundo.

 

(*) Contraponto: Arte de sobrepor uma ou mais linhas (ou vozes) melódicas a uma melodia principal.

Voltar para Cultura Musical