Noite das Estrelas: mais uma iniciativa pioneira do Mozarteum, os dois concertos realizados em 2018 na Sala São Paulo colocaram em destaque o talento brasileiro

Os concertos Noite das Estrelas, realizados na Sala São Paulo dias 8 e 9 de outubro, encerraram a programação de 2018 do Mozarteum Brasileiro com um significado especial.

Um tributo ao talento brasileiro, Noite das Estrelas apresentou 11 solistas – instrumentistas e cantores – e um compositor cuja obra, Aquarela Trancoso, estreou nestes dois concertos que também contaram com a Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro, sob regência de seu maestro titular, Carlos Moreno.

Todos os solistas – Vinícius Costa (barítono), Eder Grangeiro (violino), Julio Nogueira (contrabaixo), Camila Rabelo (soprano), Gabriel Henrique (tenor), Geisa Santos (viola), Bruno de Sá (sopranista), Jessé Reis (violino), Marcela Rahal (mezzo-soprano), José Batista Júnior (viola), Ian Spinetti (tenor) – e o compositor Eduardo Frigatti, tiveram suas trajetórias impulsionadas pelos programas socioeducativos do Mozarteum. Bolsas de estudos em instituições internacionais tiveram papel importante na evolução de todos. Hoje, muitos deles trilham carreiras promissoras na Europa. Um pouco da história de cada um foi contada ao longo dos concertos por Sabine Lovatelli, fundadora e presidente do Mozarteum, que conduziu Noite das Estrelas como mestre de cerimônias, apresentando cada solista.

“Estes dois concertos Noite das Estrelas mostram um círculo que se completa nas atividades socioeducativas do Mozarteum”, afirmou Sabine Lovatelli na abertura dos espetáculos. “Desde os contatos iniciais com professores ou instituições de ensino, até o encaminhamento de jovens músicos para um mercado de trabalho, o Mozarteum desenvolve uma ação contínua – e os resultados nós veremos agora, aqui no palco da Sala São Paulo”, ela anunciou.

Fundamental para a compreensão de Noite das Estrelas, a fala de Sabine acrescentou:

“Em 37 anos de atividades, o Mozarteum procurou fomentar a música no Brasil. Apresentamos o que há de melhor na cena internacional, nos quase 1.500 concertos realizados até hoje. Mas, paralelamente, sempre mantivemos ações de ensino entre nossas prioridades.

Por meio de masterclasses e bolsas de estudos procuramos oferecer oportunidades, abrir portas e criar novas perspectivas para jovens músicos brasileiros.

Assim, o estímulo à carreira de instrumentistas é uma ação constante desde o ano 2000. Desde então, oferecemos bolsas de estudos – seja no Brasil ou no exterior.

Quatro anos atrás, com um de nossos parceiros na Europa – a Chorakademie Lübeck, da Alemanha – demos mais um passo pioneiro ao criar a academia Canto em Trancoso.

Anualmente, esta academia de canto leva cerca de 50 bolsistas de diferentes regiões do Brasil para o sul da Bahia, onde participam de cursos intensivos durante uma semana, com professores de renome internacional. Ao final, alguns selecionados ganham mais uma bolsa para uma etapa seguinte de estudos na Europa.

Hoje, para nossa satisfação, muitos de nossos bolsistas já desenvolvem carreiras promissoras – no Brasil e na Europa. Por isso, é fundamental prestigiar estes talentos, expressando-lhes nossa admiração e reconhecimento”.

Sabine ainda ressaltou a participação da Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro, que também integra as ações socioeducativas do Mozarteum. Ao maestro Carlos Moreno, referiu-se como “parceiro incansável na valorização da música como instrumento educacional”.

“Desde sua estreia, em março de 2017, no festival Música em Trancoso, esta nossa orquestra vem conquistando público e crítica”, disse Sabine. “Direcionada ao jovem profissional que busca aprimoramento contínuo, é mais uma colaboração para que a música e a cultura no Brasil sejam valores efetivos de desenvolvimento e qualidade de vida.

Com quase 100 músicos, a Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro se renova a cada ano com a proposta de proporcionar experiências relevantes – seja no fetival Música em Trancoso, seja em nossa programação de São Paulo, em concertos com artistas consagrados, como as sopranos Diana Damrau e Anna Netrebko, ou espetáculos como o desta noite”, Sabine concluiu.

Mais uma iniciativa pioneira na história do Mozarteum, os concertos Noite das Estrelas encantou o público que lotou a Sala São Paulo nas duas noites.

“Foi um prazer acompanhar Noite das Estrelas, que levou excelente público à Sala São Paulo”, comentou Sidney Molina, crítico do jornal Folha de S.Paulo e violonista do Quaternaglia Guitar Quartet. Para Molina, os espetáculos são importantes e necessários.

“Espero que Noite das Estrelas se torne parte do calendário do Mozarteum nos próximos anos”, acrescentou o crítico, que ainda destacou: “Foi muito simpático contarmos com a apresentação de Sabine Lovatelli. Tê-la no palco foi uma deferência especial aos jovens músicos e uma demonstração do engajamento total da instituição na formação dos músicos do futuro”.

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