Série #NossosTalentos | Noite das Estrelas
Julio Nogueira, contrabaixo

Dias 8 e 9 de outubro, na Sala São Paulo, o Mozarteum encerra sua programação de 2018 com os concertos Noite das Estrelas. Em cena, acompanhados da Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro, sob regência de seu maestro titular, Carlos Moreno, estarão 12 jovens solistas brasileiros com carreiras promissoras, que em algum momento foram impulsionadas pelo Mozarteum. Vale a pena conhecê-los: são novos talentos que despontam inclusive na cena internacional, comprovando a potência musical brasileira.

Julio Nogueira, contrabaixo

Bom humor e generosidade, além de enorme talento, marcam a personalidade de Julio Nogueira, contrabaixista da Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro (OAMB), que nos concertos Noite das Estrelas apresentará o primeiro movimento do Gran Duo Concertante, de Giovanni Bottesini, com o violinista Eder Grangeiro.

Versatilidade e avidez por novas experiências também fazem parte do jeito de ser de Julio que, paralelamente à sua intensa atividade na música de concerto, também leva adiante a banda Denker, formada por ele, o violonista e cantor Rubens Müller e o guitarrista e violonista Guilherme Oliveira. Com repertório de músicas autorais, este grupo musical mistura o rock com música clássica e faz do contrabaixo acústico o centro das atenções como instrumento solista.

Entre os “sonhos” de Julio Nogueira realizados pelo Mozarteum estão suas apresentações, como único músico brasileiro convidado, com a Orquestra Sinfônica Estatal Russa “Evgeny Svetlanov”, sob regência do maestro norueguês Terje Mikkelsen (em abril de 2018, na Sala São Paulo).

Na “conversa” a seguir, Julio Nogueira fala sobre suas “aventuras” musicais, com o jeito saboroso de um contador de histórias.

Momento atual:

“Atualmente tenho me dedicado à Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro, na qual atuo como primeiro contrabaixista, à minha banda, a Denker e, eventualmente, tenho atuado como músico convidado em algumas orquestras. Além dessas atividades, a convite do maestro Carlos Moreno, tenho colaborado junto à Orquestra Jovem de Verão – Trancoso, tocando e dando aulas nesse projeto lindo, que conta com o apoio da comunidade de Trancoso.”

Expectativas:

“A expectativa do momento é realizar dois concertos excelentes do Noite das Estrelas (risos). Em seguida começo a preparação de um novo repertório. Tem algumas peças que tenho muita vontade de tocar faz algum tempo. Pretendo iniciar os estudos ainda em 2018 para poder executar no início de 2019. No mesmo período pretendo retomar os estudos com o repertório para provas de orquestra, pois é muito importante tê-lo à mão. Além disso, há shows da Denker marcados até o fim do ano. Sobre o futuro, tenho planos de participar de alguns festivais de música e encontros de contrabaixo nos próximos anos, voltados para orquestra e também com a Denker. Além, é claro, de realizar muitos shows e concertos, sempre visando estruturar e tornar sólida a minha carreira musical, adquirindo cada vez mais conhecimentos, repertório, bagagem e vivência de estrada.”

Amor ao primeiro pizzicato:

“Essa história é muito legal! Aos dez anos de idade eu decidi que queria ser músico. Assim, do nada. Ouvi um disco (Titãs – Acústico MTV) e ali decidi que queria fazer aquilo para o resto da minha vida! Simples assim (risos). Aos 12, ouvindo outro disco (Paralamas do Sucesso – Acústico MTV), dessa vez com um amigo, decidimos que queríamos ter uma banda de rock. A pergunta de um milhão dólares: ‘o que precisamos fazer para ter uma banda de rock?’ A resposta mais sensata e intuitiva de todas foi: ‘aprender a tocar instrumentos!’ (gargalhadas). Eu queria ser baterista e ele tinha uma queda pela guitarra, mas uma paixão enorme pelo violão. Um dia a minha mãe apareceu com uma filipeta de um curso de música que acontecia na empresa em que ela trabalhava. Tinha violino, viola, violoncelo e contrabaixo acústico. ‘Tem algum desses em banda de rock?’. ‘Em banda de rock tem contrabaixo’. Sendo assim, fomos aprender o tal ‘contrabaixo acústico’. Claro que fomos completamente enganados, né? Em banda de rock tem contrabaixo elétrico, aquele parecido com guitarra (mais gargalhadas). Mas foi assim que o contrabaixo apareceu na minha vida. E como eu sempre brinco, foi amor ao primeiro pizzicato!.”

Um paulistano do mesmo signo de Shakespeare:

“Sou taurino, nascido na cidade de São Paulo em 1987, 23 de abril, mesmo dia de nascimento e morte de William Shakespeare (1564 – 1616), também dia do livro e da promulgação da lei da pureza da cerveja Reinheitsgebot. Até onde tenho conhecimento, sou o primeiro músico profissional na minha família. A minha mãe estava no lugar certo, na hora certa e me trouxe aquele banner do curso de música do Instituto Pão de Açúcar. Ela de longe foi a pessoa da minha família que mais me apoiou e quis me ver feliz, trilhando o meu caminho na música. Quantas enrascadas, caronas para levar o baixo aqui e ali nos mais diversos horários e dias improváveis para ela, e sempre que possível estando presente nos meus concertos, shows e apresentações e muito mais! O meu pai, super inteligente e intelectual, amante da música, queria que eu trabalhasse com alguma coisa que ‘me desse futuro’. Vai entender… (risos). Mas mesmo assim ele comprou um violão para mim quando pedi (não sem muita insistência, é claro!) e me deu o meu primeiro contrabaixo (depois de eu tocar durante anos com um contrabaixo emprestado da minha professora, a Renata Jaffé). Sempre dizia que iria me assistir num momento mais adequado, mas esse dia nunca chegou. O máximo que se envolveu em minha vida musical enquanto estava vivo foi ouvir algumas gravações caseiras nos primórdios da Denker. O mais curioso é que ele é figura chave nessa história toda da música acontecer na minha jornada. Quando os meus pais se separaram ele foi morar e trabalhar num prédio em construção da empresa em que ele trabalhava e esse prédio era ao lado da casa daquele que viria a se tornar meu amigo e parceiro de música e de banda, o Rubens.”

“Divirta-se!”:

“Uma outra figura muito importante nesse processo todo foi o meu irmão mais velho por parte de mãe – roqueiro, apaixonado por música e conhecedor dos mais variados estilos musicais. Com ele eu ouvi de tudo na minha infância, principalmente o rock que eu tanto amo. Ele fazia questão de estar em todos os concertos e shows de todas as bandas e orquestras em que eu toquei. Sempre me influenciou e me direcionou em tudo. Tem até uma passagem curiosa em que eu estava em um dos meus primeiros concertos. Tinha uma música que eu não sabia tocar e sendo assim não toquei. Pois bem: nessa música eu fiquei parado e com uma cara de entediado. Quando terminou o concerto, a primeira coisa que ele me falou foi: ‘quando você está no palco você é artista. As pessoas estão lá para te ver. Tem que estar completamente envolvido com o que está acontecendo, esteja tocando ou não. Nunca fique com cara de entediado ou emburrado. Divirta-se!’. Isso ficou bastante marcado para mim e levo comigo até hoje. Ele foi a minha maior inspiração, da infância à adolescência. Sem dúvida é um herói para mim.”

A vida sem música seria um erro:

“O projeto em que iniciei os meus estudos musicais tem como base de aprendizado o “Método Jaffé de Ensino Coletivo de Cordas”. Ou seja, desde a primeira aula nós aprendemos música na formação de orquestra. Cada um tocando a sua parte, mas sempre buscando ouvir o que os outros tocam e interagindo por meio do diálogo musical. Ali eu confirmei que era o que realmente queria fazer da minha vida, com um bônus gigantesco: tive contato pela primeira vez com a música clássica. Isso fez uma diferença tremenda na minha formação como pessoa. Foi durante a minha adolescência, o período mais legal, mais intenso, mas ao mesmo tempo mais confuso da jornada humana. Aprender música me fez me entender como pessoa, além de me permitir ver o mundo com outros olhos – olhos de esperança de um sonhador. Sem dúvida ‘a vida sem música seria um erro’.”

“Dificuldades” do contrabaixo:

“Carregar o contrabaixo é sempre uma complicação (risos). Essa é outra parte que só ‘confirma’ o quanto eu ‘fui enganado’. Se eu tivesse observado logo de cara que teria de carregar o contrabaixo por aí, será que eu teria escolhido esse instrumento? – perguntou o cara que queria ser baterista… hahahahaha. Brincadeiras à parte, com certeza o contrabaixo é uma alegria, uma paixão, um amor, uma devoção que tenho em minha vida. Carregar por aí tem lá as suas dificuldades vez ou outra, mas a satisfação em tocá-lo supera todo e qualquer obstáculo. Importante: depois de muito estudo e aprendizado, atualmente eu e meu amigo de infância, o Rubens Müller, temos a tão sonhada banda de rock, que é a Denker. Curiosamente, nós dois tocamos os nossos primeiros instrumentos na banda. Eu toco o contrabaixo acústico e ele o violão.

Além de nós, tem o terceiro ‘membro da gangue’ que é o Guilherme Oliveira, guitarrista.”

Preferências musicais:

“Antonín Dvořák é o meu compositor preferido. A paisagem sonora criada por ele reverbera muito em mim. O que eu escuto e vejo quando estou em contato com a música dele me remete a um ambiente bucólico e terno. Além dele gosto muito de Brahms – o ‘romântico inveterado’, ‘o cara dos graves’. Curiosamente, são dois compositores fascinados pelo som da viola. Um deles inclusive, o Dvořák, foi violista profissional. Tem coisas lindas nas peças deles e em especial o naipe de violas tem coisas belíssimas. Além deles tem Mahler e Beethoven, com cargas emocionais muito intensas, cada um à sua maneira, que também reverberam muito em mim. Bach! Quando eu descobri Bach foi surreal. Que música sublime! Tem os russos – Shostakovich, Tchaikovsky, Korsakov… – Piazzolla, Villa-Lobos, entre muitos outros de diversos períodos e lugares do mundo. Ah! Sou fascinado por Beatles! Como eu sempre brinco, sou um ‘aspirante a beatlemaníaco’ (risos).”

Música no dia a dia:

“Estou o tempo todo escutando música. Essa é uma das exigências da música em meu dia a dia. Ela precisa estar – e está – presente na maior parte do tempo. Mas falando da parte técnica, do estudo da música, eu preciso de três a quatro horas do meu dia tocando o meu instrumento. Nesse período eu estudo técnica (escalas, arpejos, golpes de arco, estudos etc.), o repertório solo do instrumento, excertos orquestrais e o repertório que eu estiver executando com orquestra no momento. Mas isso varia dependendo da demanda. Por exemplo, no momento tudo que eu tenho estudado está ligado ao repertório de Noite das Estrelas. Além desse período com o instrumento tem outras partes que precisam ser trabalhadas durante o dia. Estudar bem a partitura, solfejar, estudar as disciplinas complementares da música (teoria, harmonia, percepção etc.), pesquisar sobre o repertório a ser executado, ler, escutar música, ver documentários, assistir a concertos (na internet e, mais importante, ao vivo), entre outras atividades. Ou seja, é preciso sempre nutrir a música e o interesse pela música.”

E o clássico convive com o rock:

“Paralelo a isso tem a Denker. Na Denker eu toco contrabaixo acústico e nós utilizamos esse instrumento como solista na banda. Por se tratar de um projeto inédito – contrabaixo acústico como solista tocado com arco em uma banda de rock – foi preciso muita pesquisa e estudo sobre como poderíamos tornar esse projeto viável.  Além da parte musical e artística, foi necessário muito estudo da parte técnica de sonorização, gravação e mixagem para fazer com que o contrabaixo tenha destaque, sobretudo na performance ao vivo. Muito embora atualmente nós saibamos qual a sonoridade que queremos e quais os caminhos possíveis para isso, ainda estamos em pleno desenvolvimento dessa parte técnica. Ou seja, continuamos estudando bastante para melhorar cada vez mais o processo. Aí é muita pesquisa. Qual microfone, captador, pré-amplificador, caixa? Quais as novidades do mercado? Quais artistas fizeram algo semelhante? Quais as referências? Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? (risos). Enfim, a música exige a maior parte do meu tempo. Tipo, todo o meu tempo! (gargalhadas).”

Noite das Estrelas:

“Saber que participaria dos concertos Noite das Estrelas foi uma grata surpresa! Vieram em um momento muito especial em minha jornada musical. Venho de uma série de experiências incríveis junto ao Mozarteum Brasileiro nos últimos anos e fazer parte dessa celebração da “prata da casa” me deixa muito feliz e orgulhoso. Considero muito importante o investimento que é feito pelo Mozarteum na carreira de talentos brasileiros porque proporciona a experiência de vivenciarmos a música em sua forma mais pura e em altíssimo nível, com os profissionais mais conceituados e renomados dos grandes centros culturais e musicais do mundo. Poder me apresentar aqui no Brasil com Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro, uma orquestra da qual faço parte desde a sua criação, ainda mais como solista é, sem dúvida, muito especial.”

Conspiração a favor da música:

“A expectativa sobre o concerto Noite das Estrelas é a melhor possível! Vou tocar uma peça pela qual sou apaixonado desde os primórdios da minha jornada musical. A peça em questão é o Grand Duo Concertante para violino e contrabaixo, do compositor italiano Giovanni Bottesini, um dos compositores mais importantes da literatura solista e virtuosística do meu instrumento, o contrabaixo. O mais bacana nessa noite será a possibilidade de tocar ao lado do meu amigo Eder Grangeiro, um excelente músico e violinista e também um dos meus parceiros na viagem para Pommersfelden, na Alemanha, em 2017, que ainda contou com a companhia do querido Wellington Salustiano. Uma curiosidade sobre essa parceria é que na nossa estada no castelo idealizamos tocar essa peça com orquestra. Felizmente o universo conspirou a nosso favor (risos). Agradeço imensamente ao Mozarteum e ao maestro Carlos Moreno por mais essa oportunidade.”

Sentindo-se em casa com o Mozarteum:

“O Mozarteum tem sido muito importante em minha jornada musical. Foram tantas aventuras até aqui… Antes mesmo de existir a Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro eu tive a oportunidade de estar duas vezes no festival Música em Trancoso. Nessas ocasiões eu conheci tanta gente incrível! Fiz música em altíssimo nível com músicos dos mais renomados da atualidade, conheci pessoas do público que acabaram se tornando meus amigos posteriormente, toquei em concertos ao ar livre na Praça do Bosque de Trancoso, fui às escolas realizar concertos didáticos e depois reencontrei alguns alunos destas escolas aprendendo música em função daquele contato inicial e tantas outras coisas!

Depois tive a alegria de ver nascer uma orquestra em um momento conturbado da nossa história recente, quando diversas orquestras foram extintas, e ainda mais especial para mim foi poder participar ativamente desse processo. Aí então foram mais concertos didáticos nas escolas, mais interação com a plateia, concertos memoráveis e inesquecíveis, criando uma relação mais intensa com o público e conhecendo ainda mais pessoas, mas dessa vez como músico da Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro. Depois veio a bolsa para Pommersfelden de maneira completamente inesperada – que surpresa maravilhosa! – e convites para me apresentar junto a outras orquestras da programação de concertos do Mozarteum – a Orquestra Sinfônica de Buscareste em novembro de 2017, a convite do maestro Benoît Fromanger, e a Orquestra Estatal Russa “Evgeny Svetlanov” em abril de 2018. Também foram incríveis os concertos da OAMB com duas das mais fantásticas sopranos da atualidade, Anna Netrebko e Diana Damrau. Em todas estas situações o Mozarteum não pensou duas vezes em me apoiar com tudo que fosse necessário para poder cumprir esses desafios à altura. Vale destacar que a equipe toda é muito querida e eu me sinto completamente em casa quando estou realizando qualquer atividade junto ao Mozarteum. Obrigado gente! Vocês são INCRÍVEIS!!!”

Música no castelo:

“A bolsa de estudos para o Collegium Musicum em Pommersfelden, na Alemanha, foi um sonho! E mais incrível ainda: um sonho realizado!

Durante um mês nesta academia que se realiza num castelo de 300 anos, é possível ouvir, ver e respirar música de altíssima qualidade e isto se soma a todo o contexto do período barroco presente na construção, nas obras de arte e em tudo que nos cerca por lá. Sem dúvida alguma a música e a experiência humana tomam outras proporções em uma vivência como esta. Além do mais, conheci pessoas incríveis e isto contribuiu para a transformação que este período de estudos nos provoca. Lá estive em contato com jovens músicos de altíssima qualidade, vencedores de concursos internacionais e futuros solistas, e músicos das grandes orquestras do mundo. A importância de ter uma oportunidade como esta é justamente poder descobrir, direto na fonte, como é feita a música que nós estudamos e ouvimos falar, aqui do outro lado do oceano. Outro fator que considero absolutamente importante é o fato de poder estar em contato com uma cultura completamente diferente. Assim é possível ver que existem outros caminhos e possibilidades, que há outras maneiras de enxergar e interpretar o mundo e que não existe verdade absoluta, como somos muitas vezes  levados a acreditar dentro da nossa bolha. Foi sem dúvida uma experiência fabulosa!”

Experiência ímpar com uma das melhores orquestras da Rússia:

Foi mais uma experiência fantástica! Primeiro o convite para tocar com a Orquestra Sinfônica Estatal Russa “Evgeny Svetlanov”. Fantástico!

Na sequência me passaram o repertório que seria executado: 18 músicas! É claro que aceitei na hora tocar todo o repertório e participar de todos os concertos. Tinha certeza que seria uma experiência ímpar. E foi! A minha preparação foi insana, pois eu sabia que não teria ensaios com a orquestra. Tinha em mente que teria no máximo um ensaio geral tocando do início ao fim as músicas de cada concerto. Tocar uma sinfonia de Tchaikovsky ou Shostakovich com uma orquestra russa sem ensaiar? Peguei todo o repertório, busquei pelo menos cinco gravações com grandes orquestras e regentes, com possibilidades musicais das mais variadas, e me rachei de estudar. Decorei todo o repertório e nos concertos toquei com um olho grudado no chefe de naipe – um contrabaixista incrível e com uma bagagem enorme, o professor Mikhail Kekshoev, e o outro no maestro. Fui muito bem recebido pelo naipe de contrabaixos, pelo maestro Terje Mikkelsen, por toda orquestra e sua equipe de produção. No fim do último concerto o primeiro trombonista veio me parabenizar e agradecer pela música que havia feito. Ele disse as seguintes palavras: “é muito fácil tocar com você, pois você conhece toda a música e sabe exatamente o que está acontecendo em cada instante. É como se tivesse um maestro bem aqui na minha frente. Além disso, você toca com tanta paixão que contagia todo mundo. Em especial o repertório russo você toca muito bem. ‘Como um verdadeiro russo!’. Esse foi sem dúvida um elogio e tanto! Aí eu já estava nos céus, pois esse trombonista é o músico que cuida do naipe dos metais naquela orquestra. Um músico excepcional! Depois veio o maestro falar comigo. Ele me perguntou se eu o tinha visto durante os ensaios e concertos. Simples e objetivo respondi: ‘claro, maestro. Sempre!’. Ele abriu um sorriso e completou: ‘eu sei’. Eu sempre olhava para você e você estava sempre ligado no que estava acontecendo. Você tem uma coisa muito importante para um músico: tem a música toda na cabeça e toca o tempo todo prestando atenção em tudo que está acontecendo. Meus parabéns e não perca isso jamais.’. Ali eu tive uma noção da dimensão do que tinha acontecido realmente. E digo mais, tocar repertório russo com uma orquestra russa, uma das melhores da Rússia: que prazer imensurável!”

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