Série #NossosTalentos | Noite das Estrelas
Geisa Santos, viola

Dias 8 e 9 de outubro, na Sala São Paulo, o Mozarteum encerra sua programação de 2018 com os concertos Noite das Estrelas. Em cena, acompanhados da Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro, sob regência de seu maestro titular, Carlos Moreno, estarão 12 jovens solistas brasileiros com carreiras promissoras, que em algum momento foram impulsionadas pelo Mozarteum. Vale a pena conhecê-los: são novos talentos que despontam inclusive na cena internacional, comprovando a potência musical brasileira.

Geisa Santos, viola

Baiana de Salvador, a violista Geisa Santos vive na Alemanha, onde integra a orquestra de câmara Kammerphilharmonie Frankfurt e se aperfeiçoa em uma das mais importantes universidades de artes da Europa.

Ela iniciou sua carreira no NEOJIBA, Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia. Em 2013, uma bolsa de estudos do Mozarteum lhe permitiu estudar por dois anos na Alemanha, na Karajan-Akademie, a escola da Orquestra Filarmônica de Berlim. Hoje, soma experiências notáveis. Já se apresentou com alguns dos mais importantes maestros da atualidade, como Daniel Baremboim, Simon Rattle, Gustavo Dudamel e Zubin Mehta, além de solistas consagrados, como Maria João Pires, Martha Argerich e Lang Lang.

Nos concertos Noite das Estrelas, Geisa Santos tocará o Romance para Violino e Orquestra nº 2 em Fá Maior, de Beethoven.

Momento atual:

“Moro em Frankfurt e estudo na HFMDK (Hochschule Für Musik und Darstellende Kunst Frankfurt am Main) na classe de viola da professora Ingrid Zur. Desde novembro de 2016 faço parte da orquestra de câmara Kammerphilharmonie Frankfurt .”

Olhando adiante:

“Minha expectativa, no momento, é continuar o árduo trabalho de crescimento na música para alcançar mais e mais os meus objetivos. Quero conseguir trabalho em uma grande orquestra, sou apaixonada por músicas sinfônicas, mas também tenho paixão por música de câmara. Na área pedagógica me fascina poder passar adiante tudo que venho aprendendo. Espero atender a estes meus desejos um dia… Estou lutando para isso!”

O trajeto até a Filarmônica de Berlim:

“Sempre fui apaixonada por música, desde a infância, quando cantava na igreja e participava de coros sem nenhuma noção musical, apenas com talento e paixão. Mas, aos 14 anos, um amigo me chamou para fazer parte de um projeto que estava começando no subúrbio de Salvador e daí eu fui. Era um projeto de orquestra, escolhi o violino, que estudei por uns três anos, daí esse projeto acabou por falta de apoio, mas eu continuei estudando. Eu usava o violino do projeto porque não tinha condições financeiras na época para comprar um instrumento. No segundo ano do projeto eu ganhei um violino que foi comprado com alguns trocados dos trabalhos de costura de minha mãe, junto com o primeiro salário do meu irmão mais velho, Misael Santos. A partir daí continuei com muito mais vontade. Em 2007 começou em Salvador o NEOJIBA (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia) e eu fiz a prova para ingressar neste projeto. Já tocava viola havia um ano, fui selecionada e escolhida para integrar o grupo dos monitores-fundadores. Com a existência do NEOJIBA, que deu mais impulso para que eu seguisse a carreira de música como violista, eu conheci o Mozarteum e através do Mozarteum fui parar na Filarmônica de Berlim.”

Noite das Estrelas:

“Os concertos Noite das Estrelas representam um grande presente na minha vida e dos meus colegas solistas. Através desses grandes espetáculos vamos poder mostrar ao público a mudança que a música fez e faz em nossas vidas. Vamos emocionar pessoas, vamos agradecer e, o mais importante, vamos desfrutar e nos deleitar com o que tanto amamos fazer! Acho esta ideia fantástica, pois o projeto Noite das Estrelas vai ajudar a abrir muitos caminhos para nós, jovens pioneiros da música. Além de despertar em outros jovens o desejo de correr atrás de seus sonhos e objetivos, acreditando que é possível!”

Oportunidade vital:

O papel do Mozarteum em minha vida é de extrema importância. Sou muito grata a essa instituição. Consegui dar rumo à minha carreira graças ao fantástico trabalho do Mozarteum e à oportunidade que me foi dada.

A magia da Filarmônica de Berlim:

“Foi mágica e inesquecível a experiência na Karajan-Akademie. Todos os minutos que passei dentro da Filarmônica de Berlim foram preciosos. Tive tratamentos maravilhosos por parte de meus professores. Minhas aulas eram sempre com o viola solo Máté Szucs, mas também tinha sempre o acompanhamento e a ajuda de Walter Küssner. Além das aulas fantásticas com eles, ainda toquei algumas vezes para outros violistas da casa. Todos me receberam com muito carinho e respeito. Também tive o prazer de realizar projetos de música de câmara e de tocar na Orquestra Filarmônica de Berlim com grandes maestros convidados – como Bernard Haitink, Simon Rattle, Daniel Baremboim, Gustavo Dudamel, Zubin Mehta, Andris Nelson e outros grandes regentes da atualidade. Foram muitos os projetos dos quais participei, tocando repertórios super difíceis, com obras de Mahler, Bruckner, Shostakovich, Tchaikovsky, Prokofiev e outros. Essa experiência trouxe grandes transformações para minha vida, aprendi a me aperfeiçoar mais musicalmente e também como pessoa. Vivi em uma cultura muito diferente da nossa, tive que me adaptar rápido. Seria muito fácil voltar se eu não estivesse trabalhando com tanta seriedade. Não digo que foi fácil, mas foi maravilhoso!”

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