Espetáculo dedicado à zarzuela e opereta empolga plateia do 8º Música em Trancoso

Patrimônio da cultura espanhola, a zarzuela é um gênero lírico-dramático, parecido com a opereta, que sempre estimula emoções – em plateias e intérpretes. Na segunda noite do festival Música em Trancoso de 2019, domingo (24 de março), o programa Zarzuela + Opereta revelou-se uma escolha super acertada.

O repertório selecionado reuniu clássicos da zarzuela, como La Boda de Luis Alonso, de Gerônimo Giménez (1854-1923), cujo intermezzo foi belíssimamente interpretado pela Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás, sob regência do maestro espanhol Pascual Osa.
Osa é um regente carismático, que compartilha suas emoções. Possui uma coreografia própria à frente da orquestra, descendo às vezes do pódio para se misturar e se aproximar mais dos músicos. Seu jeito apaixonado contribuiu para tornar a apresentação ainda mais calorosa.
Os cinco solistas brilharam intensamente. A soprano Angelica de la Riva, brasileira de ascendência cubana, radicada nos Estados Unidos e com reconhecida carreira internacional, foi uma presença luminosa. Ostentando sua gravidez, parecia cantar para o público e também para a filha que deve nascer em breve.

Mónica Ferracani, a soprano argentina que estreou no festival, mostrou por que a crítica a considera a melhor cantora lírica de seu país.
A mezzo-soprano Svetlana Shilova, estrela do Teatro Bolshoi de Moscou que já se apresentou no Música em Trancoso, retornou neste ano para mais uma vez exibir sua voz aveludada, que delicia os ouvidos em interpretações como, por exemplo, a Canção de Ninar da Husarenballade, do compositor russo Tikhon Khrennikov, apresentada na segunda parte do espetáculo, dedicada à opereta.

Os solistas masculinos também estavam muito bem representados pelos dois cantores italianos que estrearam no festival deste ano. O tenor Vincenzo Costanzo, destaque da nova geração de talentos internacionais, mostrou sua voz poderosa em performances arrebatadoras. Fez um belo contraste com o baixo Duccio Dal Monte, um super experiente cantor lírico que já interpretou os principais papeis operísticos de seu tipo vocal, cuja apresentação contou com uma imponência elegante e solene.

Em profunda sintonia, orquestra, maestro e solistas proporcionaram um espetáculo impecável para uma plateia entusiasmada, que não se deixou intimidar pela chuva torrencial que caiu sobre Trancoso nos primeiros dias do festival. Nesta região tão bela do Brasil, até a chuva acrescenta novas nuances à natureza, mantendo-a sempre atraente. Mais ainda, quando se associa à música.

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