Série #NossosTalentos | Noite das Estrelas Jessé Reis, violino

Dias 8 e 9 de outubro, na Sala São Paulo, o Mozarteum encerra sua programação de 2018 com os concertos Noite das Estrelas. Em cena, acompanhados da Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro, sob regência de seu maestro titular, Carlos Moreno, estarão 12 jovens solistas brasileiros com carreiras promissoras, que em algum momento foram impulsionadas pelo Mozarteum. Vale a pena conhecê-los: são novos talentos que despontam inclusive na cena internacional, comprovando a potência musical brasileira.

Jessé Reis, violino

O violinista paulistano Jessé Reis completará 22 anos em dezembro deste ano, mas já tem um currículo que atesta seu prodígio musical. Atualmente ele vive na República Tcheca, onde integra uma das principais orquestras do país – a Bohuslava Martinu Philharmonic. Também toca no Moravian Theatre Olomouc, um dos palcos mais tradicionais da Europa, cuja intensa programação inclui óperas, concertos, espetáculos teatrais e de balé. Jessé ainda realiza apresentações em companhia da harpista Amelia Tokarska, com a qual forma o Duo Harplino.

Filho do violinista Deoclécio Reis, Jessé manifestou seu gosto pela música na infância, quando trocava o violino por brinquedos. Nos concertos Noite das Estrelas, Jessé apresentará o quarto movimento do Concerto nº 1 para violino, de Dmitri Shostakovitch, um de seus compositores preferidos. “Todos vão gostar”, garante.

Momento atual:

“Vivo na República Tcheca há quase dois anos. Antes disso estive um breve tempo na Polônia. Os povos tcheco e polaco são muito educados musicalmente. Estuda-se música no ensino médio, livros grossos sobre história da música fazem parte do dia a dia escolar, há conhecimento sobre todos os períodos da história da música, assim como sobre compositores e este ensino inclui orquestras escolares, criadas para estimular o contato com a prática musical. É uma tradição que se reflete nos incríveis compositores tchecos, como Antonín Dvorák e Bedrich Smetana, entre outros. No geral, a música é algo importante aqui. Em cada cidade existe uma orquestra sinfônica e um teatro com orquestra, o que é uma ótima oportunidade para nós, músicos.”

Paixão pelo violino:

“Desde criança tinha paixão por instrumentos musicais e o fato de meu pai ser violinista ajudou a despertar meu interesse pelo violino. Eu tinha três anos de idade quando meu pai me perguntou se queria um videogame ou um violino de presente de aniversário. Claro que escolhi o violino, que era quase do meu tamanho. A partir daquele momento o violino tornou-se minha paixão e meu futuro.”

Filho de peixe…

“As pessoas estranhavam ver uma criança como eu, com cinco, seis anos, tocando violino, mesmo sendo espontaneamente. Mas minha família sempre me incentivou, tanto minha mãe quanto meu pai foram e são importantes em minha vida como artista. Meu pai, o violinista Deoclécio Reis, tocou em grandes orquestras brasileiras. Hoje ele é o criador e maestro da orquestra Crescendo em Harmonia, uma extensão da Faculdade de Filosofia do Recife. Ele também é professor de música e criou esta orquestra formada por jovens com uma proposta sociocultural.”

No centro musical do mundo

“Desde que cheguei à República Tcheca já tive oportunidade de visitar oito países diferentes, a maioria na Europa e outros na Ásia, todos com jeitos diferentes de tratar a música. Um bom exemplo é a Áustria, que trata a música como algo importante no desenvolvimento cultural das pessoas, oferecendo salários altos e prestígio social aos músicos. Mas, como cidadão brasileiro, digo que é sempre muito difícil viver em outro país. Idioma, comida, clima, tudo é diferente. Como turista não é possível entender isso com precisão, por isso as pessoas podem ter uma imagem diferente da verdadeira. Mas com certeza existem vantagens em morar na Europa Central, pois está perto de vários grandes polos como Alemanha, Áustria, entre outros. Isto facilita muito a carreira e o desenvolvimento de um músico porque torna possível estudar nestes países, mesmo morando na República Tcheca.”

Momentos marcantes:

“Competições são muito importantes para a carreira de um músico. Até o momento, foi muito significativo para mim ter vencido o concurso do programa Prelúdio, da TV Cultura, em 2016, em São Paulo. Sempre admirei a competição, sempre me imaginei participando e vencer foi simplesmente incrível, algo que não consigo descrever. Também foi muito marcante ter sido aprovado em uma orquestra profissional aqui da República Tcheca, a Bohuslava Martinu Philharmonic, uma das mais importantes do país.”

De olho no futuro:

“Quero concluir o bacharelado em música e começar o mestrado, talvez na Alemanha ou Áustria. Planejo participar de competições internacionais como solista ou como duo e quero estar sempre me desenvolvendo para participar de novos testes para outras orquestras, dentro ou fora da República Tcheca. Também pretendo realizar mais concertos e competições com meu duo, o Harplino, que mantenho junto com a harpista Amelia Tokarska. Já nos apresentamos regularmente na Europa e recentemente tocamos no Brasil. Estamos terminando as gravações de nosso primeiro CD como Harplino Duet, que será lançado nos próximos meses.”

Compositores preferidos:

“Dmitri Shostakovitch é um de meus preferidos por sua enorme capacidade de expressão através da música. Heitor Villa-Lobos também. Foi um compositor extremamente detalhista, criava cenários musicais ricos em nuances através de linhas e acordes típicos da brasilidade, além de ter sido de extrema importância para a cultura brasileira, difundido pelo mundo afora. Há tantos outros autores incríveis, mas finalizo com Maurice Ravel, que é sensacional. Mesmo não tendo escrito muitas coisas para violino, suas obras para orquestra são formidáveis.”

Noite das Estrelas:

“Sinto-me honrado pela oportunidade de poder mostrar a todos o meu trabalho e me sinto agradecido ao Mozarteum Brasileiro por nos dar um momento como esse, na mágica Sala São Paulo. Tenho certeza que o público vai gostar muito.”

Impulso fundamental:

“Em julho de 2016 tive a chance de participar da Summer Academy – Collegium Musicum em Pommersfelden, Alemanha, através do Mozarteum Brasileiro, que me concedeu uma bolsa de estudos. Foi a realização de um sonho poder ir para a Europa única e exclusivamente por causa da música. Esta oportunidade me abriu caminhos e tem consequências positivas até hoje. Para completar, lá conheci minha noiva, a harpista Amelia Tokarska, e isto mudou completamente o rumo de minha vida e carreira, sendo um dos motivos por estar vivendo hoje na República Tcheca.”

Experiências proporcionadas pelo Mozarteum:

“Ficar durante um mês no Castelo de Weissenstein, onde se realiza a Summer Academy – Collegium Musicum em Pommersfelden, representa uma experiência incrível. Ter este tempo para se dedicar integralmente ao estudo, com aulas de música de câmara e orquestra, é uma oportunidade incomparável. A chance de, neste curso, ter contato com músicos do mundo também permite desenvolver a comunicação, que é tão importante quanto tocar bem, pois ajuda a despertar a atenção do músico para audições, competições, além de proporcionar conhecimento sobre como se preparar para viver fora etc. Através do Mozarteum também participei, durante dois anos seguidos, do festival Música em Trancoso com a Orquestra Experimental de Repertório, sob regência do maestro Carlos Moreno. Foi mais uma experiência incrível para mim, primeiro por acontecer em um lugar paradisíaco, segundo pela incrível arquitetura da sala de concertos e por último, e não menos importante, pelos incríveis professores das masterclasses oferecidas pelo festival. São mestres que nos transmitem vasta técnica e experiência, nos ajudando a desenvolver um aprimoramento musical que tanto precisa de atenção no Brasil. Sou muito grato ao Mozarteum Brasileiro por estas oportunidades.”

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