A existência de orquestras está diretamente associada à evolução sociocultural dos países. Fundamentais para a educação, agregam valor às cidades e também criam espaços de oportunidades para aqueles que almejam a profissionalização em música.

Para o Mozarteum, que sempre procurou estimular o desenvolvimento musical no Brasil, a formação da Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro, é mais uma de nossas contribuições à cultura brasileira.

O padrão de excelência que sempre conduziu as programações e atividades do Mozarteum também é premissa para esta nova formação sinfônica, que inicia sua trajetória em 2017 sob a batuta de Carlos Moreno, maestro de reconhecido talento em nosso país.

Formada a partir de uma audição que atraiu 250 inscritos de diferentes regiões do Brasil, a Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro reúne, nesta sua fase inicial, 77 músicos, 62 deles bolsistas, com média etária de 25 anos. “É uma orquestra sinfônica completa”, observa o maestro Carlos Moreno.

A estreia da Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro será no festival Música em Trancoso, durante sua sexta edição, de 18 a 25 de março de 2017. Neste consagrado evento, além de realizar seis concertos, estará convivendo com grandes músicos internacionais e participando de ações de educação musical nas escolas da região.

Em seguida, nos primeiros dias de maio, participará do Concerto de Gala na Sala São Paulo, que trará pela primeira vez ao Brasil uma das maiores estrelas do canto lírico mundial – a soprano alemã Diana Damrau, que cantará em companhia de outro grande artista, o baixo-barítono francês Nicolas Testé.

Este início privilegiado de carreira trará não só visibilidade como também experiências significativas para a Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro.

Importante lembrar que o Brasil é um imenso manancial de talentos, que precisam ser descobertos e incentivados para que tenhamos, cada vez mais, uma sociedade mais harmoniosa, desenvolvida e com maior qualidade de vida. Formações orquestrais são canais para tal possibilidade – lembrando ainda que elas representam perspectivas de mercado de trabalho, fomento à economia e à criatividade.

A Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro nasce sob a mais elevada expectativa de que estamos proporcionando ao Brasil um bem de valor incalculável, que traz vitalidade ao momento presente e novos impulsos para um futuro promissor. Esperamos que tal iniciativa também sensibilize nossos governantes sobre a importância da arte em nossa sociedade, que não pode prescindir do poder transformador desta manifestação humana.

Entrevista com o maestro Carlos Moreno:

“A Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro representa uma gota de esperança no atual contexto brasileiro”

 Qual a importância da Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro no atual contexto da música no Brasil?

Carlos Moreno – A criação desta orquestra representa uma gota de esperança no atual contexto brasileiro, para toda a classe de artistas.

Como a Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro se compõe agora?

Carlos Moreno – Esta orquestra se forma, agora, com estudantes muito talentosos e promissores e profissionais jovens que necessitam de um mercado que os absorva. Neste momento, também teremos grandes profissionais, atuantes nas mais importantes orquestras de São Paulo e principalmente da Europa, em uma sinergia proporcionada pelo Música em Trancoso, que esperamos ser sentida pelo público do festival.

Como foi a audição para a escolha dos músicos?

Carlos Moreno – Em um processo seletivo realizado em novembro de 2016, tivemos 250 inscritos de todo o Brasil e da América Latina, dentre os quais escolhemos 62 bolsistas de ótimo nível. O processo seletivo foi destinado a jovens a partir de 18 anos, ou seja, aqueles que já estão em nível universitário e desejosos de uma oportunidade de vivenciar uma orquestra que atinja padrão artístico profissional.

A semente desta orquestra está no festival Música em Trancoso?

Carlos Moreno – Certamente! A estreia da Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro será no Música em Trancoso de 2017, cuja programação paralela de masterclasses, com grandes músicos das mais prestigiosas orquestras sinfônicas da Europa, também representa um intercâmbio valioso para todos os seus integrantes.

Qual o significado deste nome, Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro?

Carlos Moreno – Significa unir instrumentistas, artistas, que tenham sede de aprender, sem limites ou comodismos, e também de trocar experiências e vivências musicais. Desde sua criação, o festival Música em Trancoso sempre proporcionou e gerou este sentimento de devoção à música – como uma academia, um centro voltado para o saber, o conhecimento musical. Ou seja, o nome da Orquestra é muito apropriado, considerando sua ligação com o festival.

A Orquestra já tem uma programação expressiva em sua fase inicial. Como será este calendário de atividades?

Carlos Moreno – O calendário da Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro se inicia com nove ensaios intensivos, em fevereiro, no Teatro Arthur Rubinstein do Clube Hebraica de São Paulo, onde realizaremos um ensaio aberto no dia 3 de março. Teremos em seguida outra semana de ensaios, já com a participação de diversos solistas que se apresentarão com a Orquestra no Música em Trancoso. Na programação do festival faremos três concertos e ainda três apresentações camerísticas, no Teatro L’Occitane e na Praça do Bosque, além de aproximadamente 16 ações didáticas nas escolas municipais da cidade e redondezas.

Após o festival Música em Trancoso, quais as perspectivas?

Carlos Moreno – O Concerto de Gala na Sala São Paulo, em maio, com a soprano alemã Diana Damrau e o baixo-barítono francês Nicolas Testé, será uma oportunidade muito especial. Tenho certeza que muitas outras oportunidades, projetos e concertos virão naturalmente e irão compor uma grande temporada. Entretanto, é importante lembrar que o objetivo maior, que justifica a existência desta orquestra, é todo o trabalho artístico, de nível internacional, que será desenvolvido e apresentado em Trancoso, cidade reconhecida mundialmente por sua exuberância e mágica beleza e que hoje possui um dos mais belos teatros litorâneos do mundo, o L’Occitane, além de um festival reconhecido e apreciado internacionalmente. Vide todas as suas noites de espetáculos, com plateias sempre lotadas por um público fantástico!

Artisticamente, como você pretende desenvolver esta orquestra?

Carlos Moreno – O objetivo é manter e cultivar a sinergia que está sendo criada durante o intenso convívio desta fase inicial, que espero seja a marca de sucesso desta orquestra. Anualmente, a Orquestra reabrirá testes seletivos para que novos bolsistas tenham a oportunidade de desfrutar da importantíssima oportunidade que ela oferece.

O que significa, para você, assumir a regência da Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro?

Carlos Moreno – É mais uma realização em minha vida, dedicada totalmente ao outro, pelos caminhos da música, da arte. Esta Orquestra também significa o encontro com pessoas maravilhosas, que emanam um sentimento comum, compartilhado pelo Mozarteum Brasileiro, sob a direção de Sabine Lovatelli. Sinto-me muito feliz por receber desta instituição tão importante a confiança para a realização deste trabalho e espero corresponder às mais altas expectativas. Viva a Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro!