Uma superstar do canto lírico. Esta definição de Anna Caterina Antonacci, frequente na imprensa internacional, soma-se a uma lista inesgotável de superlativos. Diva, deslumbrante, única, artista completa, extraordinária – assim costumam-se referir a esta cantora italiana, que além de voz magistral possui um magnetismo cênico que arrebata plateias.

“Ela não é somente uma cantora magnífica, mas também uma atriz espetacular, capaz de interpretar papeis dramáticos com perfeição”, publicou a revista Opera Lively sobre Antonacci.

Reverenciada mundialmente, ela é festejada nos grandes templos da ópera – seja no La Scala de Milão, no La Monnaie de Bruxelas, na Ópera de Paris ou no Vienna State Opera, onde se apresenta regularmente. Em 2013, após uma temporada no Lincoln Center, o jornal The New York Times publicou que o Metropolitan Opera House deveria convidá-la sempre, para cantar o papel que ela desejar, na ópera que ela preferir.

No apogeu de seus 54 anos, Antonacci vem ao Brasil, a convite do Mozarteum, para interpretar sucessos de sua carreira. No programa que reúne excertos de composições italianas e francesas, ela cantará acompanhada do pianista polonês Maciej Pikulski.

O timbre vocal privilegiado de Antonacci, que lhe permite cantar como soprano e também como mezzo-soprano, contribui para sua singularidade artística. Tal habilidade tem lhe permitido explorar um vasto e variado repertório.

Entre seus inúmeros sucessos, inclui-se a interpretação de Cassandra na ópera As Troianas, de Hector Belioz, apresentada em 2003 no Théâtre du Châtelet de Paris, com direção musical de Sir John Eliot Gardiner. Esta produção de enorme impacto e repercussão, aclamada pela crítica, rendeu registros em DVD e em disco blu-ray.

Outra performance triunfante foi como protagonista de Carmen, de Bizet, produzida pela Royal Opera House de Londres, sob regência de Antonio Pappano. Ao lado do tenor alemão Jonas Kaufmann, esta interpretação ganhou registro em DVD, que é sucesso de vendas desde seu lançamento, em 2008, confirmando que Antonacci magnetiza todos os públicos, dos experts aos leigos.

Da Europa à Ásia, plateias de todas as culturas costumam reverenciar Antonacci. Suas apresentações na Temporada 2015 do Mozarteum, são precedidas das óperas Les Troyens e La Ciociara, por ela estreladas na San Francisco Opera (EUA). Em seguida às récitas na Sala São Paulo, ela se apresenta na Suíça e na Alemanha.

“Sempre me sinto atraída pela produção do som. É uma sensação muito forte, como talvez voar. Mas gosto também da parte teatral. Sempre amei o jogo cênico, a interpretação de personagens, a possibilidade de representar outra pessoa, de transmitir uma história ao público”, afirmou Antonacci sobre seus dons teatrais ao jornal Le Temps, de Genebra.

Tal talento é reconhecido também pelos muitos maestros notáveis com os quais ela tem compartilhado a cena. “Ela é o tipo de cantora que quando caminha pelo palco nos faz perceber que estamos diante de uma importante presença”, disse sobre Antonacci o regente italiano Riccardo Muti, em entrevista recente.

A decisão de dedicar-se ao canto, que Antonacci considera “a mais artesanal das artes”, surgiu bem cedo. Nascida na cidade italiana de Ferrara, ela cresceu em Bolonha. Filha de um juiz e de uma psiquiatra, já na infância ela manifestou o desejo de ser cantora de ópera, após encantar-se com o dueto de Joan Sutherland e Luciano Pavarotti em Lucia de Lammermoor, de Donizetti, que viu na televisão.

Em vez de seguir o caminho convencional, através de apresentações de conservatório, ela começou sua carreira aos 18 anos, cantando no coro do Teatro Comunale de Bolonha. Estudou durante dez anos, até começar a ser premiada em concursos de prestígio, no final da década de 1980.

Sua interpretação de Elizabeth I na ópera Maria Stuart, de Donizetti, é considerada um de seus primeiros grandes papéis. Segundo o jornal britânico The Telegraph, que já a comparou a Maria Callas, naquela produção ela já irradiava glamour e um majestoso domínio cênico.

Seu repertório foi desenvolvendo-se entre o clássico e o barroco. Depois de explorar composições italianas e também obras do século 20, ela envolveu-se com a música francesa, pela qual revela especial predileção.

“Foi uma evolução de meu gosto e sensibilidade”, ela diz sobre sua afinidade com o repertório francês. “Na primeira parte de minha carreira as obras italianas eram predominantes. Acho que a mudança ocorreu com As Troianas porque representou um acontecimento não só na minha carreira como também na minha vida”, ela reconheceu em entrevista para Luiz Gazzola, publicada na revista Opera Lively.

Durante os oito anos que viveu em Paris, Antonacci aperfeiçoou o idioma francês, deixou-se seduzir pela cultura francesa e também conquistou a França, que lhe concedeu o título de Chevalier de l’Ordre National de la Légion d’Honneur, a mais alta condecoração do país.

O dia a dia em grandes teatros, ela alterna com um cotidiano singelo na cidade suíça de Genebra, onde vive com o filho. Quando está fora dos palcos, a atividade favorita de Antonacci é cultivar azeitonas em plantações domésticas, no sul da Itália, que já lhe permitem produzir azeite de oliva.

“Adoro o contato com a natureza, com as plantas, o contato das mãos na terra”, ela diz. Talvez deste ambiente terreno, ela retire as energias que lhe permitem alcançar a dimensão divina de sua voz.

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